segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Fulana

Tal como é ou deve ser:
branca, intacta, neutra, rara
feita de pedra translúcida
de ausência e ruivos ornatos

Sei que jamais me perdoara
matar-me para servi-la
Você quer homens forte
couraçados invasores

Como é sádia
os enfermos somos nós

Sou eu o poeta precário
ordinário, o desconhecido
que faz de você um mito

Mas, se tensasse construir
outra que não
essa de burguês sorriso
e de tão burro esplendor

E lhe dou todas as faces
de meu sonho que especula

A lua fica sendo nosso esquema
de um território mais justo

E digo a você: amor
já não sofro, já não brilhas
mas somos a mesma coisa
uma coisa tão diversa do que pessavamos
somos os mesmos de sempre

Quero morrer sufocado
quero das mortes a mais hedionda
quero voltar repelido
pela salsugem do largo

Quero a declaração
do que nao pode e possa acontecer

(**de MERLOT FALCAO)

Primórdios - jamais

Jamais beijarei sua boca
Jamais tocarei em seu rosto
Jamais olharei seu sorriso
Jamais fundarei seus olhos
Jamais escutarei sua voz
Jamais vou te ver dormindo
Jamais te abraçarei
Jamais cantarei de novo
Jamais irar sonhar comigo
Jamais olharei tomar banho
Jamais seu perfume
Jamais tu vai pensar em mim
Jamais tu vai lembrar de mim
nunca vai sentir meu amor
jamais vai pegar em uma flor
há não ser quando ver na TV
que um jovem louco e doente
se suicidou por falta de amor
Jamais sentirei amor
Jamais dizer que gosto de você
Jamais a atração vai me condenar
Jamis irei escutar
A morte anunciada
Jamais de dor
Jamais de amor

(*de MERLOT FALCAO )

Fragmentos

Posso serm armas, revoltar-me?

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim
Ao menino de 1986 chamavam de anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim
Com ele me salvo
E dou a poucos uma esperança mínima

Pois a hora mais bela
surge da mais triste

Não sei o que seja
Eu não a escolhi
Jamais a Fitei
Mas levo uma coisa

Não estou vazio
não estou sozinho
pois anda comigo
algo indescritível.

(*poema retirado de trechos diversos de Drummond)

Um dia de verão no inverno

Nunca morrer assim num dia de sol
De vento forte calor arrebatador
Ne suar ao respirar
E de tentar chegar a sombra

Não querer o sobreviver além do querer
e refazer as vantagens do consciente
pois a chegada do ocorrido é fato

Nas primaveras de verão o florecer das flores
é mais um acontecimento do irreal
da captaçao das luzes e de improvérbios
aonde o caule estremece

Morrer só quando ter a chuva e a nuvem cinza
querer a renovaçao além da encarnação
nunca morrer enquanto viver...

A reflexão como forma de razão

A imagem refletida
refletiu o acontecimento do irreal

A ilusão psicodélica da razão
fez a reflexão

Mas o olhar não admirou a beleza
da leis opticas

A reprodução do irreal
é a razão plena do descontentamento

Tempo e vento

Não sou tempo
não sou vento

Vivo o presente
lembrando o futuro

A angústia da solidão
traz consigo a escravidão

Coisas da vida

Eu já provei muita coisas...

furacões, marés, dragões.

Mas as coisas da vida
eu simplesmente
deixei acontecer.